A história política de Joinville carrega um dado revelador sobre a presença feminina nos espaços de poder. Desde sua fundação, a Câmara de Vereadores teve apenas duas mulheres na presidência, ambas em caráter interino. Nenhuma foi eleita para comandar o Legislativo municipal em um mandato completo.
A primeira foi a professora Teresa Campregher Moreira, no início dos anos 1990. Como vice-presidente da Mesa Diretora, ela assumiu o posto quando o então presidente precisou acumular temporariamente o comando do Executivo. Seu período à frente da Casa foi breve, mas histórico: marcou a primeira vez que uma mulher liderou o Legislativo de Joinville.


FOTO: Ebnder Gonçalves 06/10/1992 e A Notícia
Mais de três décadas se passaram até que outra mulher ocupasse a cadeira principal. Em 29 de outubro de 2025, a vereadora Tânia Larson tomou posse como presidente interina, após Diego Machado deixar o cargo para assumir a Prefeitura de forma temporária. Assim como Teresa, Tânia chegou à presidência por determinação regimental, não por eleição.

Duas mulheres. Duas passagens rápidas. Nenhuma eleita.
Em uma cidade do porte de Joinville, nenhuma mulher jamais presidiu a Câmara por um mandato regular. O comando do Legislativo sempre esteve nas mãos de homens. As exceções ocorreram apenas em momentos de substituição, como peças que se movem para preencher um vazio temporário.
As presenças de Teresa e Tânia, ainda que breves, abrem espaço para uma reflexão necessária sobre representatividade e avanço institucional. Elas simbolizam passos isolados em um cenário onde a liderança feminina ainda não conquistou o espaço que merece.
A questão que fica não é sobre o tempo que separa essas duas histórias. É sobre a história que ainda está sendo escrita. Quando Joinville verá uma mulher presidir a Câmara por escolha, e não apenas por circunstância?