O debate sobre a implantação de um trem regional de passageiros voltou a ganhar força no Norte de Santa Catarina. Após a aprovação da Moção nº 407/2026 na Câmara de Vereadores de Joinville, o vereador Henrique Deckmann (MDB) defendeu que a região aproveite a estrutura ferroviária já existente para criar uma alternativa aos congestionamentos enfrentados diariamente nas rodovias.
A proposta busca incluir o trecho da ferrovia EF-485 nos estudos nacionais de viabilidade para transporte ferroviário de passageiros. A ideia é conectar municípios como Joinville, Araquari, São Francisco do Sul, Jaraguá do Sul, Corupá, São Bento do Sul, Rio Negrinho e Mafra, utilizando parte da malha ferroviária que atualmente opera principalmente para o transporte de cargas.
Segundo Deckmann, o momento é diferente de outras tentativas porque há uma mobilização conjunta de entidades regionais, como a Amunesc, a Amvali e a Amplanorte, representando uma região que ultrapassa 1,6 milhão de habitantes.
“Já passou da hora de termos transporte ferroviário de passageiros para não depender apenas do transporte rodoviário”, afirmou o vereador durante entrevista ao Notícias Joinville.
Rodovias próximas do limite
Para o parlamentar, a discussão ganhou urgência diante do crescimento populacional e econômico da região, que aumentou significativamente o fluxo de veículos entre os municípios.
Deckmann argumenta que rodovias como a BR-101 e a BR-280 já apresentam sinais claros de saturação, com congestionamentos frequentes, acidentes e longos períodos de deslocamento para trabalhadores que precisam se deslocar diariamente entre as cidades.
“O rodoviário está esgotado”, resumiu.
A proposta prevê justamente oferecer uma alternativa para quem hoje depende exclusivamente do carro, ônibus ou transporte rodoviário para se locomover entre cidades vizinhas.
Projeto já começou a avançar
Embora o trem ainda esteja longe de sair do papel, o vereador afirma que o projeto já possui avanços institucionais importantes.
Segundo ele, em abril representantes das associações regionais encaminharam ao Ministério dos Transportes um pedido para inclusão do Norte catarinense nos estudos nacionais voltados ao transporte ferroviário de passageiros. Em maio, a demanda também foi apresentada ao senador Esperidião Amin, buscando apoio político para a iniciativa.
Para Deckmann, o principal objetivo neste momento é garantir que Santa Catarina entre oficialmente no radar dos estudos federais.
“O primeiro passo é colocar o projeto no papel e realizar estudos técnicos sérios”, destacou.
Estrutura existente pode facilitar projeto
Um dos argumentos utilizados pelos defensores da proposta é que a região já conta com uma malha ferroviária em operação para cargas.
Segundo o vereador, a infraestrutura existente pode reduzir parte dos investimentos necessários, embora sejam indispensáveis avaliações técnicas sobre trilhos, segurança, estações e possíveis adaptações para o transporte de passageiros.
Ele lembra que a ferrovia já foi utilizada para passageiros durante décadas e acredita que parte dessa estrutura pode voltar a ser aproveitada.
Impacto pode ir além da mobilidade
Além da redução do trânsito, Deckmann acredita que o trem regional poderia gerar benefícios econômicos, turísticos e sociais para toda a região.
Na avaliação dele, milhares de trabalhadores poderiam utilizar o serviço diariamente, reduzindo o tempo gasto em deslocamentos e melhorando a qualidade de vida.
“Que tranquilidade seria sentar em um trem e chegar ao destino sem enfrentar horas de trânsito”, afirmou.
Apesar do entusiasmo dos defensores do projeto, ainda não há previsão de implantação nem estimativas oficiais de custo. O próximo passo será a continuidade das articulações junto ao Governo Federal e aos órgãos responsáveis pelos estudos ferroviários no país.