A renúncia de Rafael Lucchesi ao cargo de CEO da Tupy, anunciada no fim da tarde de sexta-feira, intensificou o cenário de instabilidade na multinacional catarinense e reacendeu questionamentos sobre a governança da companhia.
A saída ocorre pouco mais de um ano após sua nomeação, movimento considerado incomum para empresas desse porte e que amplia a percepção de turbulência interna. A indicação de Lucchesi, feita em 2025 com apoio de acionistas relevantes como BNDESPar e Previ, já havia gerado desconfiança no mercado, principalmente pela ausência de experiência direta na gestão de grandes companhias industriais.
O contexto recente da empresa também contribui para o aumento das tensões. Em 2025, a Tupy registrou prejuízo líquido de R$ 655 milhões, impactado por um cenário macroeconômico desafiador e pela queda na demanda do setor automotivo, além de pressões externas como tarifas comerciais. Parte do resultado também está associada a investimentos de mais de R$ 500 milhões voltados à eficiência operacional, com expectativa de retorno a partir de 2026.
A troca de comando também reabre discussões antigas envolvendo possíveis interferências na gestão e decisões estratégicas da companhia. Nos últimos anos, indicações políticas para o conselho de administração e mudanças na liderança executiva já haviam provocado reação de acionistas minoritários.
Com a saída de Lucchesi, o conselho de administração inicia o processo de sucessão. Até a definição de um novo nome, Gueitiro Matsuo assumirá a posição de CEO interinamente.