Trabalhar muito para ter o mínimo. A realidade de quem vive em Joinville

Falar de salário e aluguel em Joinville hoje é falar de uma conta que, para muita gente, simplesmente não fecha. Para quem vive com renda entre R$ 1.800 e R$ 3.500, sobra cada vez menos depois de pagar as contas do mês. Joinville segue recebendo pessoas de várias regiões do país e, para o mercado e a indústria local, isso atende a uma demanda real de mão de obra. Essa força de trabalho é essencial para o funcionamento da cidade. Enquanto houver oferta de vagas, esse movimento tende a continuar. O problema é o que acontece depois da chegada. O aluguel tem subido de forma significativa. Em 2025, a alta acumulada do aluguel em Joinville foi apontada como acima de 11%. E quando o aluguel sobe, o custo de vida aperta por todos os lados. Alimentação, transporte e contas básicas como água, luz e internet, somadas ao aluguel, passam a consumir praticamente toda a renda. Há dados divulgados pelo Sebrae indicando que, em média, joinvilenses gastam cerca de R$ 965 por domicílio apenas com alimentos e bebidas. Somando isso a um aluguel entre R$ 1.500 e R$ 3.000, a realidade fica evidente: financiar um imóvel ou investir em educação se torna quase um luxo. A conta não fecha. O resultado é um ciclo conhecido. A pessoa chega, encontra emprego, mas permanece presa à lógica da sobrevivência: trabalha muito para ter o mínimo. Essa é a realidade de quem vive em Joinville. Sem planejamento urbano e sem políticas consistentes que ampliem o acesso à moradia, a cidade repete um padrão que penaliza justamente quem sustenta sua base econômica. O povo sente isso na pele e no bolso. Joinville cresce e continua atraindo pessoas. Mas, para muita gente, a promessa de uma vida melhor termina reduzida a uma rotina de sobrevivência.
Joinville cresce no mesmo lugar e isso está encarecendo a cidade

Joinville carrega uma característica particular no seu crescimento urbano. Mesmo com mais de 600 mil habitantes, a cidade mantém uma dinâmica de ocupação concentrada, com grande parte da população vivendo nas mesmas regiões ou próximas ao eixo central. Esse padrão faz com que a demanda por moradia se concentre nos mesmos espaços, criando uma pressão contínua sobre o mercado imobiliário. Ao mesmo tempo, Joinville segue atraindo novos moradores, impulsionados por oportunidades de trabalho e pela busca por qualidade de vida. O resultado é um movimento quase automático de valorização. Com mais pessoas disputando as mesmas regiões, os preços dos imóveis sobem e, na sequência, os aluguéis acompanham essa escalada. Esse cenário também impacta o acesso ao crédito. Com imóveis mais caros, torna-se mais difícil financiar a compra da casa própria ou até mesmo viabilizar novos empreendimentos imobiliários que poderiam ampliar a oferta e equilibrar os preços. Parte desse contexto também está ligada a decisões tomadas ao longo dos anos. Políticas públicas voltadas à concentração urbana, como propostas que incentivavam a ocupação de áreas centrais, contribuíram para esse modelo de desenvolvimento mais adensado. Sem a expansão consistente da infraestrutura para regiões mais afastadas, bairros periféricos seguem com menor atratividade, o que reforça ainda mais a concentração e mantém a pressão sobre os preços nas áreas mais valorizadas. O resultado é uma tendência clara. Com crescimento contínuo, concentração populacional e falta de expansão estrutural, o custo da moradia em Joinville segue em alta, impactando principalmente quem mais depende do acesso à cidade para viver e trabalhar.
Aluguel em Joinville deve continuar subindo e não há sinal de reversão

O avanço do valor dos aluguéis em Joinville não é pontual e tampouco dá sinais de desaceleração. A tendência, segundo a análise, é de continuidade no aumento, impulsionada por um crescimento acelerado da demanda e pela falta de planejamento urbano para absorver novos moradores. Hoje, Joinville já apresenta uma taxa de crescimento nos preços de aluguel que supera cidades como Florianópolis e fica acima da média nacional. Esse movimento é reflexo direto da migração intensa para a cidade, atraída por uma imagem consolidada de qualidade de vida e oportunidades. O problema é que essa expansão não foi acompanhada por estrutura suficiente para receber esse novo fluxo populacional. A cidade foi promovida como destino, mas não se preparou para acolher. Ao mesmo tempo, o cenário econômico também pressiona o mercado imobiliário. Com juros elevados, inflação alta e salários defasados, o investimento em imóveis para locação se torna menos atrativo. Em muitos casos, aplicações financeiras oferecem retorno semelhante ou até superior, com mais liquidez e menos risco. Isso reduz o interesse de investidores em ampliar a oferta de imóveis para aluguel, o que contribui ainda mais para a alta dos preços. Para quem chega à cidade, a alternativa ideal seria o financiamento de um imóvel. No entanto, essa possibilidade ainda está distante da realidade da maioria. Os bancos não financiam integralmente o valor dos imóveis, exigindo entrada e condições que grande parte da população não consegue atender. O resultado é um mercado pressionado de todos os lados. Mais pessoas chegando, pouca ampliação na oferta e dificuldades reais de acesso à moradia. Diante desse cenário, a tendência é clara. Os aluguéis devem continuar subindo e o acesso à moradia em Joinville seguirá como um dos principais desafios da cidade nos próximos anos.
O custo de morar em Joinville está expulsando quem vem trabalhar

Joinville voltou a crescer no pós-pandemia com força industrial e reforçou sua imagem como cidade de oportunidades. Emprego existe, a economia gira e a cidade se consolida como polo atrativo para quem busca trabalho. Mas essa promessa começa a falhar quando encontra a realidade do custo de vida. A maior parte dos trabalhadores que chega à cidade ocupa funções operacionais, com salários que, em média, variam entre R$ 1.800 e R$ 3.500. É uma renda que, na prática, tem sido absorvida quase integralmente pelo custo de moradia. Hoje, mesmo em bairros periféricos, aluguéis de kitnets ou pequenos apartamentos variam entre R$ 1.500 e R$ 2.500. Isso significa que entre 60% e 70% da renda de um trabalhador pode ser comprometida apenas para garantir um teto. O impacto é direto e profundo. Sem margem financeira, esse trabalhador não consegue consumir, investir em formação, acessar cultura ou construir qualquer perspectiva de crescimento. Ele entra na cidade para trabalhar, mas permanece preso a um ciclo em que o trabalho serve apenas para garantir a própria sobrevivência. Joinville continua sendo uma cidade que gera emprego. Mas, cada vez mais, precisa enfrentar uma pergunta central. Crescer para quem e a que custo?
III Simpósio FECCASC reúne setor de tiro e comércio de armas em Santa Catarina

O setor de tiro esportivo e comércio de armas teve um novo momento de articulação em Santa Catarina com a realização do III Simpósio da FECCASC. O evento aconteceu no dia 11 de abril, na Grande Florianópolis, reunindo representantes de diferentes áreas ligadas ao segmento. O simpósio concentrou dirigentes de clubes de tiro, comerciantes, presidentes de federações, ligas e associações, além de CACs (colecionadores, atiradores e caçadores), fabricantes, importadores e profissionais do setor. Autoridades e especialistas também estiveram entre os participantes. A proposta do encontro foi promover debates sobre temas considerados centrais para o segmento, como o tiro esportivo, o armamento civil e o comércio legal de armas no país. A programação também abordou questões relacionadas à regulamentação, funcionamento de clubes e o cenário atual do setor no Brasil. Além dos painéis, o evento foi apresentado como um espaço de networking e troca de informações entre os participantes, com foco no fortalecimento institucional e econômico das atividades ligadas ao tiro esportivo. Entre os nomes ligados ao setor está a empresária Fabi Venera, que atua em Joinville no segmento de armamento civil. Com experiência empresarial na área, ela também possui formação como instrutora credenciada pela Polícia Federal. Fabi é uma das representantes locais envolvidas no tema e também integra o grupo de comentaristas do programa Contraponto, voltado ao debate de assuntos relevantes da cidade e da região. Natural de Florianópolis e residente em Joinville há quase três décadas, ela afirma que construiu sua trajetória pessoal e profissional na cidade. Segundo a empresária, o município vive um cenário de crescimento acompanhado de desafios. Há muitos investimentos e crescimento, mas também desafios importantes relacionados à segurança e à economia, afirma. Fabi também está à frente de iniciativas no mercado local, como a Texas Gun House, empreendimento voltado ao público do tiro esportivo e atividades relacionadas. O espaço reúne comercialização de produtos, além de conteúdos e orientações para praticantes. A proposta do negócio é atender desde atiradores esportivos até interessados no segmento, incluindo modalidades como o airsoft, que tem ampliado sua base de praticantes. A realização do simpósio ocorre em um momento de mudanças e debates frequentes sobre a regulamentação do setor no Brasil, o que amplia a relevância de encontros voltados à discussão técnica e institucional do tema. O evento reuniu diferentes visões dentro do próprio segmento, consolidando-se como um dos pontos de encontro do setor em Santa Catarina.
Avantti anuncia Sergio Wonczewski, ex-WEG, como Diretor de Tecnologia para o segmento Industrial

A Avantti avança em sua estratégia de expansão e atuação no setor industrial com a chegada de Sergio Wonczewski como Diretor de Tecnologia para o segmento Industrial. O movimento traz para a empresa um executivo com mais de três décadas de experiência na WEG, onde atuou por 37 anos e ocupou posições de liderança global na área industrial. Ao longo de sua trajetória, Sergio esteve a frente de operações em diversos países, incluindo uma passagem como diretor na China, além de liderar a estrutura industrial global da companhia, com responsabilidade sobre fábricas, expansão, integração de aquisições e padronização de processos produtivos. Nos últimos anos, liderou o desenvolvimento de um modelo global de gestão industrial, baseado em indicadores de performance, eficiência e custo, conectando operações em diferentes continentes. “O desafio é aproveitar essa experiência e, junto com a capacidade tecnológica da Avantti, atender as demandas de projetos industriais junto as equipes de consultores e squads de desenvolvimento da companhia.”, afirma Sergio. Segundo ele, a proposta envolve a construção de ofertas que integrem tecnologia, dados e operação, com foco em resultados concretos para as indústrias através dos serviços de desenvolvimento, fábrica de software e outsourcing TI da Avantti. Para o CEO da Avantti, Rubens Sabino, a chegada de Sergio trará uma senioridade maior no atendimento aos atuais e novos clientes do segmento industrial e com isso a Avantti amplie sua presença no setor, conectando sua expertise em tecnologia e pessoas com uma visão prática de operação e gestão.
Vigorelli ganha infraestrutura e se fortalece como destino turístico

A urbanização da região da Vigorelli, em Joinville, tem ampliado o potencial turístico da localidade e promovido melhorias na qualidade de vida dos moradores. Conhecida pelo visual da Baía Babitonga, a Vigorelli passou por uma série de intervenções que modernizaram a infraestrutura da região. Entre as melhorias estão pavimentação asfáltica de acesso, revitalização da orla com paver, implantação de calçadas, ciclovia, iluminação, paisagismo e áreas de lazer, além de rampas para embarcações. A chegada da energia elétrica, após décadas de espera, também é apontada como um dos principais avanços, ao lado da implantação de sistemas de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto. As mudanças refletiram diretamente no aumento do fluxo de visitantes e no fortalecimento das atividades econômicas locais, especialmente no setor gastronômico. Além do impacto turístico, a implantação do sistema de saneamento trouxe benefícios ambientais, contribuindo para a melhora da balneabilidade da região. Dados recentes indicam que a Vigorelli permaneceu própria para banho durante a maior parte de 2025, com exceção de poucos períodos pontuais. A área está inserida em um ecossistema de manguezal, considerado essencial para a reprodução de diversas espécies marinhas. A preservação desse ambiente é vista como estratégica para o equilíbrio ambiental e o desenvolvimento sustentável da região. Com a urbanização, a Vigorelli consolida seu papel como um dos principais pontos turísticos de Joinville, aliando infraestrutura, preservação ambiental e valorização do espaço público.
Projeto propõe permitir sepultamento de pets junto aos donos em Joinville

Joinville pode avançar no reconhecimento dos animais de estimação como parte das famílias. Um projeto de lei apresentado pela vereadora Liliane da Frada propõe autorizar o sepultamento de cães e gatos junto aos seus tutores em cemitérios públicos e privados do município. A proposta busca oferecer uma alternativa mais humanizada para o momento da despedida, diante da crescente relação afetiva entre pessoas e seus animais de estimação. Atualmente, muitas famílias enfrentam dificuldades para encontrar opções adequadas após a perda de um pet. De acordo com a autora do projeto, a iniciativa reconhece o vínculo emocional entre tutores e animais, permitindo que essa conexão seja respeitada também após a morte. O texto prevê que a prática siga normas sanitárias e ambientais, garantindo segurança e organização. Além disso, a adesão por parte dos cemitérios será facultativa, dependendo de regulamentação posterior do Poder Executivo. A proposta começa agora a tramitar nas comissões da Câmara de Vereadores de Joinville, onde será analisada antes de seguir para votação.
Joinville conquista prêmio do Sebrae com projeto que transformou a Vigorelli

A Prefeitura de Joinville conquistou o terceiro lugar no XII Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora, na etapa estadual, na categoria Turismo & Identidade Territorial. O reconhecimento veio com o projeto “Vigorelli de todos: Reurb que gera renda, orgulho e oportunidades”. A premiação destaca iniciativas de gestões municipais que impulsionam o desenvolvimento econômico e social, com foco em empreendedorismo e desburocratização. Joinville foi representada na cerimônia pela secretária de Habitação, Tereza Couto, e pelo secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, William Escher. O projeto premiado tem como base a regularização fundiária da Vigorelli, que deu início a um processo de transformação da região. A partir da legalização dos imóveis, a área passou a receber investimentos em infraestrutura e ações voltadas ao desenvolvimento econômico, especialmente com foco no turismo. Entre as melhorias realizadas estão a implantação de serviços básicos, como energia elétrica, abastecimento de água e sistema de esgoto, além de obras urbanas como pavimentação, ciclofaixa, áreas de lazer e estrutura para circulação de moradores e visitantes. A iniciativa também incluiu a capacitação da comunidade local, incentivando o empreendedorismo e a geração de renda. Com isso, a Vigorelli passou a se consolidar como um novo ponto turístico da cidade, combinando desenvolvimento social e valorização territorial. O projeto teve início em 2021, após a regularização da área, que por décadas enfrentou entraves legais. A partir da resolução do impasse jurídico, foi possível estruturar um plano de reurbanização com participação ativa dos moradores. O reconhecimento no prêmio do Sebrae reforça o impacto da iniciativa, que alia políticas públicas, inclusão social e desenvolvimento econômico sustentável em uma das regiões que mais se transformaram em Joinville nos últimos anos.
Rejane Gambin faz história e assume como primeira prefeita de Joinville

Rejane Gambin assume a Prefeitura de Joinville e entra para a história como a primeira mulher a comandar a maior cidade de Santa Catarina. A nova prefeita chega ao cargo após anos de atuação ao lado de Adriano Silva e afirma que assume preparada para enfrentar os principais desafios da cidade. Em entrevista, Rejane destacou que a continuidade da gestão será uma das bases do seu governo, mas com atenção especial aos gargalos históricos que ainda impactam a população. Entre eles, ela apontou a infraestrutura e a mobilidade urbana como prioridades, lembrando que Joinville ainda possui mais de 500 quilômetros de ruas de terra, realidade que considera resultado de falhas de planejamento ao longo dos anos. A prefeita afirmou que pretende ampliar o ritmo de obras e dar sequência ao trabalho já iniciado, reforçando que o objetivo é melhorar a qualidade de vida da população em todas as regiões da cidade. Além da infraestrutura, Rejane também destacou a saúde como um dos pontos mais sensíveis da administração. Segundo ela, o aumento da demanda exige melhorias constantes no atendimento, com mais qualidade e escuta da população para corrigir falhas no sistema. Ao falar sobre o estilo de gestão, a nova prefeita defendeu o diálogo como principal ferramenta de trabalho, inclusive na relação com a Câmara de Vereadores. Ela afirmou que divergências fazem parte do processo político, mas que devem ser resolvidas com responsabilidade e foco no interesse coletivo. Rejane também ressaltou a preparação ao longo dos últimos anos, participando de decisões estratégicas e enfrentando momentos desafiadores como a pandemia. Segundo ela, essa experiência foi fundamental para assumir o cargo com segurança. O momento também representa um marco histórico para a cidade. Rejane afirmou que sua chegada ao cargo pode incentivar outras mulheres a ocuparem espaços de liderança, destacando que a construção de uma sociedade mais justa passa pela participação de todos. Ao abordar cobranças sobre obras atrasadas e desafios no transporte coletivo, adotou um tom firme e disse que não teme pressão. A prefeita garantiu que irá enfrentar os problemas com transparência e trabalho, priorizando a entrega de resultados. Agora à frente da Prefeitura, Rejane afirma que pretende trabalhar para reduzir desigualdades e fazer Joinville avançar em todas as regiões, com foco em uma cidade mais justa, estruturada e voltada para as pessoas.