A joinvilense Melissa Dias Lopes, de 11 anos, vive um dos momentos mais promissores de sua jovem trajetória no Jiu-Jitsu. Em apenas um ano no circuito competitivo a atleta conquistou 42 medalhas, distribuídas em 23 ouros, 13 pratas e 6 bronzes, um desempenho raro para a categoria e que a posiciona como um dos nomes mais fortes da nova geração catarinense.
Nascida em 28 de março de 2014, Melissa iniciou no esporte aos 7 anos, na Gracie Barra Joinville, sob orientação do professor Bruno Rocha. A dedicação, o foco e a rapidez com que absorvia novas técnicas logo chamaram a atenção. “O que eu mais gosto no Jiu-Jitsu é o poder da autodefesa”, resume a atleta, exibindo uma maturidade pouco comum para a idade.
Em outubro de 2024, Melissa passou a treinar na Atos Jiu-Jitsu, unidade de Joinville ligada ao mestre André Galvão, referência mundial na modalidade. Sob supervisão do professor Luiz Fernando Steil (Nando), intensificou treinos, ampliou repertório técnico e fez sua estreia em competições de grande porte.
No ano seguinte, em outubro de 2025, a atleta ingressou na Genesis Academy Brazil Jiu-Jitsu, onde passou a integrar a Equipe de Alto Rendimento do mestre Fábio Gaúcho. A mudança elevou o nível de exigência e marcou uma virada de chave em sua preparação, agora focada em performance nacional e internacional.
Para complementar o Jiu-Jitsu, Melissa também treina ginástica artística, judô e wrestling, combinação que amplia força, mobilidade e domínio corporal, elementos essenciais para o alto rendimento.
O pai, Luís Henrique, conta que a percepção do talento da filha surgiu de forma inesperada.
“As pessoas viam ela treinando e perguntavam: ‘Quem é essa braba? Filha de qual faixa-preta?’ A gente ria, porque não éramos do esporte até então. Falavam tanto que resolvemos colocar a Mel nos campeonatos e ela simplesmente se apaixonou pelo desafio.”
A rotina da família precisou se adaptar. Como ambos são advogados, reorganizaram horários, aumentaram o uso do trabalho remoto e transformaram as tardes em um espaço reservado para treinos e preparação.
“Pelo sonho dela, a gente se esforça e tudo dá certo”, afirma.
O momento mais emocionante? O pai é categórico:
“Foi ver ela superar derrotas contra atletas líderes de ranking e vencer essas mesmas oponentes depois. Ela provou para ela mesma que tudo é possível.”
Apesar da pouca idade, Melissa demonstra uma visão muito clara sobre sua jornada.
“Quando eu entro no tatame, penso em colocar em prática tudo que aprendi nos treinos”, explica.
Sobre as dificuldades da rotina, ela costuma dizer:
“Não acho difícil, mas desafiador quando estou na semana de pré-campeonato.”
Seu maior sonho também é direto:
“Competir no exterior e ser reconhecida mundialmente.”
A projeção da atleta agora se volta para competições internacionais e para as principais ligas brasileiras. Para isso, a família busca patrocinadores e apoiadores dispostos a investir no desenvolvimento de jovens talentos catarinenses.
“Queremos empresas que acreditem no esporte e na importância da autodefesa para crianças. A Melissa e tantas outras meninas de Santa Catarina podem se tornar referências para quem sonha em competir. Mas existe muita gente boa sem apoio algum”, reforça o pai.