Entre terapias, incertezas e fé: a história da mãe que transformou cookies em esperança para a filha em Joinville
Há quase três anos, a vida da família Segundo mudou completamente.
O que deveria ser apenas o início da rotina com mais uma filha se transformou em uma jornada marcada por exames, consultas, terapias e muitas perguntas ainda sem resposta. No centro dessa história está a pequena Fernanda, uma menina que, desde os primeiros dias de vida, enfrenta desafios que mobilizaram toda a família.
“Foi algo bem difícil de lidar”, relembra a mãe, Nadyne Segundo.
A primeira grande batalha começou logo no segundo dia de vida da bebê. Enquanto a família se preparava para receber alta da maternidade, Fernanda sofreu uma convulsão inesperada.
Ela precisou ser internada na UTI neonatal, onde permaneceu por 13 dias.
“Quando ela recebeu a medicação, teve uma parada respiratória e ficou toda roxinha na nossa frente. Foi muito desesperador”, conta.



Apesar do susto, após a alta tudo parecia caminhar normalmente. Mas, aos sete meses de idade, novos sinais começaram a surgir.
Uma amiga fisioterapeuta percebeu que Fernanda apresentava atraso no desenvolvimento motor e orientou a família a procurar ajuda especializada. Foi o início de uma longa busca por respostas.
Desde então, a menina passou por diversos especialistas e realizou inúmeros exames, incluindo ressonâncias, avaliações neurológicas, exames genéticos e cardiológicos.
Até hoje, porém, a família ainda não recebeu um diagnóstico definitivo.
O que os médicos sabem é que Fernanda apresenta hipotonia severa, uma condição caracterizada pela diminuição da força muscular.
Para ela, movimentos simples representam grandes desafios.
“Coisas que para nós são naturais exigem muito esforço dela. Levantar um braço, se movimentar, mastigar. Tudo demanda força e estímulo constante”, explica a mãe.
Uma rotina de dedicação
A vida da família passou a girar em torno dos tratamentos.
Atualmente, Fernanda realiza fisioterapia quatro vezes por semana e segue acompanhamentos que buscam estimular seu desenvolvimento motor.
A rotina intensa exigiu mudanças profundas dentro de casa.
O marido passou a trabalhar em dois empregos. Nadyne precisou voltar ao mercado de trabalho. O tempo da família precisou ser reorganizado em função das terapias e das necessidades da filha.
“Mudou completamente nossa rotina. Tivemos que reorganizar nossa vida para oferecer o melhor tratamento possível para ela.”
Mesmo diante das dificuldades, a família encontrou força nas pequenas conquistas.
Uma das mais emocionantes aconteceu recentemente, quando Fernanda conseguiu começar a se locomover sentada.
Pode parecer algo simples para muitas pessoas, mas para a família representou uma vitória imensa.
“Foram meses de fisioterapia. Ver ela conseguindo fazer isso mostrou que estamos no caminho certo.”



O renascimento da Segundoces
Foi justamente durante essa fase que nasceu uma nova etapa da história.
Para ajudar a custear terapias, exames e tratamentos, Nadyne decidiu retomar uma antiga atividade: a produção de doces artesanais.
Assim voltou a funcionar a Segundoces, marca que já existia antes da maternidade e que ganhou um novo significado.
O nome, inclusive, vem do sobrenome da família.
“Nós somos a família Segundo. Por isso escolhemos o nome Segundoces.”
O que começou como uma tentativa de complementar a renda rapidamente ganhou apoio de amigos, familiares e até de pessoas desconhecidas.
Uma amiga passou a ajudar na divulgação dos produtos nas redes sociais. Familiares contribuíram na produção. Equipamentos foram doados. Aos poucos, o projeto cresceu.
“A solidariedade das pessoas foi muito maior do que imaginávamos.”
Hoje, cada cookie vendido representa muito mais do que uma venda.
“Cada venda significa um passo no tratamento da Fernanda.”



Fé para continuar
Em meio às incertezas, a fé se tornou um dos pilares da caminhada da família.
Para Nadyne, é ela que sustenta os dias difíceis e permite continuar avançando mesmo sem todas as respostas.
“Sem a fé, nós não estaríamos aqui. Ela nos ajuda a continuar, a ter paciência e perseverança.”
Enquanto os médicos seguem investigando a origem da condição da filha, a família escolhe viver um dia de cada vez.
Sem fazer grandes projeções para o futuro, mas valorizando cada conquista alcançada.
“A gente não consegue pensar muito longe. Vai vivendo um dia de cada vez. Mas sabemos que ela é muito amada e isso nos dá força para continuar.”
Ao olhar para toda a trajetória vivida até aqui, Nadyne resume o aprendizado deixado pela filha em poucas palavras.
“A Fernanda me ensinou que o amor não tem limites. Que o amor vai até o fim.”
E quando precisa definir toda essa caminhada em uma única frase, ela não hesita:
“É justo que muito custe o que muito vale.”


