Quando o Instituto SARAR abriu as portas, a proposta era criar um espaço onde o atendimento médico caminhasse lado a lado com o acolhimento, a prevenção e a responsabilidade social. Um ano depois, o projeto reúne centenas de atendimentos, campanhas voltadas ao diagnóstico precoce e uma rede de parceiros que ajudou a transformar essa ideia em realidade.
Os resultados desse primeiro ano foram apresentados durante um evento realizado em Joinville, que reuniu pacientes, profissionais da saúde, parceiros e convidados. Além de compartilhar os números alcançados desde a inauguração, o encontro também deu voz a histórias de pessoas que encontraram no Instituto um atendimento que fez diferença em um momento decisivo de suas vidas.
Um modelo construído para ampliar o acesso à saúde
Ao abrir o evento, o fundador e presidente do Instituto SARAR, Dr. Rafael Dahmer Rocha, relembrou o início da instituição e falou sobre o caminho percorrido ao longo do primeiro ano. Para ele, o maior patrimônio construído nesse período foram as pessoas que passaram a fazer parte do projeto.
“O Instituto é feito de pessoas. Cada pessoa que está aqui faz parte da nossa história. Hoje queremos celebrar esse primeiro ano, mostrar tudo o que conseguimos construir e apresentar o que ainda queremos realizar ao lado da comunidade”, afirmou.
Segundo o médico, o Instituto nasceu com a proposta de reunir atendimento humanizado, tecnologia e uma equipe multiprofissional em um mesmo espaço, sempre com o objetivo de ampliar o acesso à saúde e oferecer um cuidado mais completo aos pacientes.
“Queremos que as pessoas encontrem aqui um atendimento de excelência, independentemente da realidade de cada uma. Esse sempre foi o propósito que deu origem ao Instituto e continua guiando o nosso trabalho”, destacou.
Outro ponto apresentado durante o encontro foi o investimento em tecnologia. O Instituto desenvolveu ferramentas para facilitar o acesso dos pacientes aos serviços, organizar a triagem dos atendimentos e tornar o processo de diagnóstico mais ágil e eficiente.
Atendimento centrado nas pessoas
Ao longo da apresentação, o fundador também explicou que o atendimento oferecido pelo Instituto começa muito antes da consulta médica. Segundo ele, a proposta sempre foi criar um ambiente em que o paciente se sentisse acolhido desde a chegada, com uma equipe preparada para olhar cada caso de forma individual.
“Nós não existimos para gerar lucro. Nosso foco é proporcionar a melhor experiência possível para quem entra aqui. Queremos que cada pessoa se sinta acolhida desde o momento em que chega”, afirmou.
Hoje, o Instituto reúne consultas médicas, check-ups, exames de imagem, cirurgias ambulatoriais e outros serviços voltados ao cuidado integral da saúde. Ao longo do primeiro ano, também passou a contar com uma rede de parceiros em diferentes áreas, ampliando os benefícios oferecidos aos pacientes e fortalecendo a proposta de um atendimento que vai além do consultório.
Como funciona uma associação sem fins lucrativos
Durante o evento, a fundadora Stiphanye Emilly Parisotto dedicou parte da apresentação para explicar como funciona o Instituto SARAR. Segundo ela, ainda é comum que as pessoas imaginem que a instituição opere como uma clínica tradicional, quando, na prática, o modelo é diferente.
“O Instituto SARAR é uma associação sem fins lucrativos. Isso significa que não possui donos nem distribuição de lucros. Todo recurso recebido é obrigatoriamente reinvestido na estrutura, na equipe, nos equipamentos e principalmente na ampliação do atendimento para quem não pode pagar”, explicou.
Ela contou que o funcionamento da instituição é baseado em um modelo que busca equilibrar os atendimentos gratuitos e os particulares. Cerca de 60% da atuação é voltada à filantropia e ao Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto os demais atendimentos são realizados por meio de convênios e particulares. É esse equilíbrio que permite manter o trabalho e ampliar o número de pessoas atendidas.
“Cada atendimento particular ajuda a financiar o atendimento de quem, muitas vezes, jamais teria condições de acessar esse cuidado. É uma forma de fazer com que uma pessoa ajude outra e essa corrente continue crescendo”, afirmou.
Mais de R$ 2 milhões investidos em um ano em filantropia
Os resultados apresentados durante o evento ajudam a dimensionar o crescimento do Instituto ao longo desse primeiro ano. Desde a inauguração, foram investidos mais de R$ 2 milhões na estrutura, aquisição de equipamentos e formação da equipe. Desse total, mais de R$ 500 mil foram destinados exclusivamente aos atendimentos filantrópicos, permitindo que mais de 200 pacientes recebessem assistência gratuita.
Stiphanye explicou que esse atendimento vai muito além da consulta médica. Dependendo da necessidade de cada paciente, o Instituto também custeia exames, procedimentos, biópsias e, em alguns casos, até cirurgias.
“Quando falamos em atendimento integral, significa que tudo o que foi necessário dentro do Instituto foi realizado sem custo para o paciente”, destacou.
Segundo ela, cada história acompanhada ao longo desse primeiro ano reforçou a importância de oferecer um cuidado completo, permitindo que pessoas que dificilmente teriam acesso a esse tipo de atendimento pudessem realizar desde o diagnóstico até o encaminhamento para o tratamento.
A campanha "Por um Mundo Sem Câncer"
Entre as iniciativas apresentadas durante o evento, a campanha “Por um Mundo Sem Câncer” ocupou um espaço de destaque. Lançada em fevereiro, a ação nasceu com a proposta de oferecer avaliações gratuitas para pessoas com suspeita ou maior risco de desenvolver a doença. A expectativa inicial era atender 100 pacientes, mas, como ainda havia recursos disponíveis, o Instituto ampliou a campanha e realizou 105 atendimentos.
Durante a apresentação, a equipe compartilhou uma situação que chamou a atenção. Para fazer com que as vagas fossem preenchidas, foi necessário investir na divulgação da campanha durante vários meses.
“Tivemos que anunciar durante meses para convencer as pessoas a aceitarem um atendimento gratuito. Parece contraditório, mas foi exatamente isso que aconteceu”, comentou o Dr. Rafael.
Ao todo, foram investidos cerca de R$ 108 mil na campanha. O trabalho resultou na identificação de seis novos casos de câncer, além de sete pacientes que procuraram uma segunda opinião médica. A equipe também diagnosticou cinco doenças pré-cancerígenas, permitindo que esses pacientes iniciassem o tratamento antes que evoluíssem para um câncer, e identificou duas pessoas com risco elevado para desenvolver a doença, que passaram a receber acompanhamento preventivo.
As consultas também revelaram outros problemas de saúde que não estavam relacionados ao câncer. Durante os atendimentos foram diagnosticadas doenças como diabetes, hipertensão, cálculos renais, miomas, artrite e outras condições que passaram a ser acompanhadas pela equipe médica, reforçando a proposta do Instituto de olhar para a saúde do paciente de forma integral.
Muito além dos números
Ao falar sobre os resultados alcançados, a direção do Instituto fez questão de destacar que o impacto do primeiro ano vai muito além dos números apresentados. Para a equipe, cada atendimento representa uma história, uma família e uma oportunidade que talvez não existisse sem o trabalho desenvolvido pelo SARAR.
“O verdadeiro resultado não são os números. São as histórias. Foram 204 pessoas que receberam uma oportunidade de recomeçar”, destacou o Dr. Rafael.
O evento também foi um momento para agradecer quem ajudou a construir essa trajetória. Parceiros, voluntários, empresas e representantes da comunidade foram homenageados pelo apoio ao longo do primeiro ano de funcionamento. Segundo os fundadores, o crescimento do Instituto só foi possível graças às pessoas que acreditaram no projeto desde o início e decidiram caminhar ao lado da instituição.
A história de Eduardo mostra a importância do diagnóstico precoce
A história de Eduardo Lange, de 63 anos, ajuda a mostrar, na prática, o impacto que o diagnóstico precoce pode ter na vida de um paciente. Em entrevista concedida ao Notícias Joinville, ele contou que passou muitos anos morando fora do Brasil e ficou cerca de sete anos sem realizar um check-up. Quando conheceu o trabalho desenvolvido pelo Instituto SARAR, decidiu aproveitar a oportunidade para fazer uma avaliação médica, sem imaginar que aquela consulta mudaria sua vida.
Já no fim do atendimento, o Dr. Rafael perguntou se havia alguma mancha na pele que tivesse mudado de tamanho ou de aparência. Eduardo lembrou de uma pequena lesão no ombro, que chamou a atenção do médico. A investigação começou imediatamente e, poucos dias depois, veio a confirmação do diagnóstico de melanoma.
A lesão foi retirada rapidamente e todo o processo, desde a identificação do problema até o encaminhamento para o tratamento, aconteceu em poucas semanas.
“Foi através daquele check-up que tudo aconteceu. O cuidado, a atenção e a forma como fui tratado fizeram toda a diferença”, contou.
Hoje, Eduardo segue em acompanhamento médico e diz que passou a olhar para a prevenção de outra forma. Para ele, ter descoberto a doença ainda no início foi decisivo para iniciar o tratamento rapidamente e aumentar as chances de recuperação.
José Roberto encontrou acolhimento quando mais precisava
A trajetória de José Roberto, de 73 anos, também retrata o impacto que um atendimento rápido pode ter na vida de um paciente. Em entrevista ao Notícias Joinville, ele contou que chegou ao Instituto sentindo dores intensas e foi atendido imediatamente pela equipe médica.
Segundo José, antes mesmo de qualquer conversa mais longa, a prioridade foi aliviar o sofrimento e entender o que estava acontecendo. A partir dos exames realizados, veio o diagnóstico de câncer e o encaminhamento para o tratamento.
O que mais ficou marcado em sua memória, no entanto, foi a forma como foi recebido.
“O que mais me marcou foi a tranquilidade que o Dr. Rafael me passou. Em nenhum momento ele falou sobre dinheiro. A preocupação era cuidar de mim”, relembrou.
Hoje, José segue em acompanhamento médico e faz questão de compartilhar sua experiência sempre que pode. Para ele, o trabalho desenvolvido pelo Instituto vai além do atendimento clínico e representa uma oportunidade para que outras pessoas tenham acesso ao diagnóstico e ao tratamento no momento em que mais precisam.
“Eu sou prova de que esse trabalho transforma vidas”, afirmou.
O próximo passo é ampliar esse impacto







Ao final do evento, os fundadores agradeceram às pessoas que acompanharam o primeiro ano do Instituto e reforçaram que a história está apenas começando. Depois de consolidar a estrutura, ampliar os atendimentos e construir uma rede de parceiros, o próximo passo é fazer com que esse trabalho alcance ainda mais pessoas.
“Não abrimos apenas as portas de uma instituição. Construímos acesso, esperança e oportunidades para que pessoas fossem diagnosticadas, acolhidas e tratadas antes que fosse tarde demais”, afirmou o Dr. Rafael.
Para os próximos anos, a expectativa é ampliar o número de atendimentos gratuitos, fortalecer as campanhas de prevenção e atrair novos parceiros que ajudem a sustentar o modelo adotado pelo Instituto. A proposta é continuar crescendo sem perder o propósito que deu origem ao projeto: oferecer um atendimento humanizado e ampliar o acesso à saúde para quem mais precisa.